Terca-Feira, 19 de Setembro de 2017

TU ÉS O FILHO DO DEUS VIVO

Publicado em Padre Adilson Schio MS
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LEITURA

A Igreja dedica este domingo para fazer memória de dois grandes seguidores de Jesus: Pedro e Paulo. A antífona que a Liturgia propõe para a missa deste dia mostra bem a importância e a veneração que as comunidades cristãs devem ter por estes dois Apóstolos: “Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. Pedro e Paulo são santos, amigos de Deus, que deram a vida para fazer a igreja nascer e crescer. A Primeira Leitura relata as perseguições sofridas pelos “membros da igreja” e a libertação de Pedro da prisão com seu grande testemunho de fé: “agora sei que de fato o Senhor mandou seu anjo para me libertar”. Na Segunda Leitura, Paulo faz um balanço de sua vida e escreve a Timóteo dizendo que tudo fez para sustentar a fé. O Evangelho relata a bela pedagogia de Jesus para fazer aos seus discípulos uma pergunta fundamental.

 

MEDITAÇÃO

A escolha dos discípulos não deve ter sido coisa fácil para Jesus. Os Evangelhos nos dizem que Ele retirou-se, passou a noite em oração a Deus e, ao amanhecer, começou a chamá-los, indo ao encontro deles (cf. Lc 6,12-13). A maioria dos Doze era de Cafarnaum, uma região desprezada pela sociedade judaica da época. A relação de Jesus com aqueles que ele chamou começa justamente no próprio chamado. Jesus chamou aqueles que ele quis, e dos mais diversos lugares: alguns estavam na beira de um lago, outros no caminho, outros ainda nas suas casas e outros nos seus trabalhos como pescadores, cobradores de impostos, consertadores de redes. A todos Jesus fez uma proposta muito clara: todos deveriam “estar” com Ele e serem dispostos a “ir e anunciar”. Esta “escolha” que Jesus faz é muito mais profunda que se possa imaginar. No judaísmo rabínico eram os discípulos que escolhiam a sua escola e quem seria o seu mestre. A novidade de Jesus é que ele chama por sua própria iniciativa. Este chamado é na realidade um convite para um seguimento de perto, aprendendo no dia a dia com o Mestre e formando com Ele, e com os outros chamados, uma experiência de comunidade missionária. É um chamado para compartilhar a vida, o destino e a missão de Jesus. O começo, ou a resposta, tinha o seu ponto de partida num encontro com a pessoa de Jesus. Pedro foi um dos chamados, Paulo se fez apóstolo por conversão. Voltando nossa reflexão para o Evangelho, vemos que Jesus leva, propositalmente, os seus discípulos para fora de Jerusalém, para longe das influências e, fazendo-lhes algumas perguntas provoca-os a uma resposta marcada pela convicção e pela certeza do seguimento. Na primeira pergunta Jesus interroga os Discípulos acerca do que as pessoas dizem sobre Ele. Na opinião dos “homens” Jesus é continuidade do passado (João Batista, Elias, Jeremias ou alguns dos profetas). Os que dizem isso, não conseguem ver a novidade que é Jesus nem a profundidade que é o seu ministério. Reconhecem apenas que Jesus é um homem chamado por Deus para uma missão. Alguém que escutou os apelos de Deus e se fez sinal vivo de Deus, tal como tantos outros. Porém é a pergunta seguinte que faz deste trecho do Evangelho de Mateus um significativo anúncio de uma grande certeza: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. A resposta não poderia ser o pensamento ou o dizer dos outros, agora tratava-se de buscar no próprio pensamento, no próprio coração, na própria experiência vivida, as razões de uma resposta, não para simplesmente ser agradável aos ouvidos do Mestre, mas que fosse a razão de toda a renúncia e seguimento feito por aqueles que Jesus havia escolhido. É Pedro que se torna uma espécie de porta-voz e resume o sentimento e o pensamento da comunidade dos discípulos: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (v. 16). Nestes dois títulos da profissão de fé de Pedro, Mateus apresenta a fé da igreja primitiva e o ensinamento que se fazia sobre Jesus. A pergunta é também para nós hoje: E para você, quem tu dizes que eu sou?... Que a nossa resposta seja marcada pela mesma certeza como foi a de Pedro: Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.

ORAÇÃO

“Ó Deus, que hoje nos concedeis a alegria de festejar São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja seguir em tudo os ensinamentos destes Apóstolos que nos deram as primícias da fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”

 

AGIR

Reflita com profundidade no versículo da Segunda Leitura: “O Senhor veio em meu auxílio e me deu forças” (v. 17).

 

Pe. Adilson Schio, MS.

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