Segunda-Feira, 18 de Dezembro de 2017

UM DEUS ABSOLUTAMENTE SIMPLES

Publicado em Padre Adilson Schio MS
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LEITURA

Na Segunda Carta aos Coríntios, Paulo expressa toda a sua convicção sobre o Evangelho que prega e mesmo dizendo-se que muitas vezes é fraco, sente que a força se manifesta justamente nesta fraqueza. No trecho da Segunda Leitura da Festa da Santíssima Trindade podemos perceber esta motivação profunda de Paulo quando ele diz “vivei em paz e o Deus do amor e da paz estará convosco” (v. 11). Paulo encoraja a comunidade a se encorajar mutuamente. Merece um olhar meditativo o Salmo Responsorial que a Liturgia deste domingo prevê. Trata-se de uma bela oração tirada do Livro de Daniel que bendize o Deus presente na história (“Deus de nossos pais”); um Deus forte (“seu nome é santo”); o Deus das profundezas e do firmamento (“aquele que sonda e que é vitorioso”). A este Deus “louvor, honra e glória, para sempre”. Na primeira Leitura Deus se revela a Moisés como o Deus da misericórdia que vai ao encontro da pessoa e com ela renova a sua aliança.

 

MEDITAÇÃO

Um Deus próximo que se faz sempre muito próximo. É isto que nesta Solenidade da Santíssima Trindade somos convidados a celebrar e por isso mesmo a nos deixar contagiar por esta verdade do Deus que amamos e em quem acreditamos. Três pessoas em uma realidade de vida. Mistério insondável de um Deus que seja no Pai, no Filho ou no Espírito, é sempre doação, caminho e verdade. São belíssimas as expressões do Credo Niceno-Constantinopolitano, quando falam da trindade de Deus: o Pai “criador de todas as coisas”, o Filho, “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado”, e o Espírito que “dá a vida, e procede do Pai e do Filho”. Encontramos também no Evangelho de São João algumas das mais belas expressões referentes à Trindade, especialmente no Último Discurso de Jesus (capítulos 14 a 17), mas desde o início de seu Evangelho João evoca a força da Trindade como geradora de unidade e de presença constante no meio de nós. Vejam que bela frase: “E a Palavra se fez homem e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória: glória do Filho único do Pai, cheio de amor e fidelidade” (Jo 1,14). Outro detalhe significativo do Evangelho de João é que sempre que ele se refere a Deus, junto com o Filho e o Espírito, sempre é em associação à ideia de uma relação de amor, até mesmo do amor mais profundo que é a doação da própria vida: “De fato, Deus amou de tal forma o mundo que entregou o seu Filho único para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Para João esta é a verdade que Jesus veio dizer ao mundo, esta é a verdade que ilumina tudo, porque revela que o mistério fundante de tudo e a explicação de todas as coisas é a verdade de que Deus é amor, ou seja, Deus é a comunhão de vida do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Mais importante do que encontrar fórmulas para expressar a compreensão do mistério das três pessoas numa única natureza, é descobrir o que a doutrina da Trindade pode nos ensinar para a nossa vida cristã. Ao celebrarmos esta verdade de fé se pede a nós cristãos que procuremos ter ao menos essas quatro atitudes: ADORAÇÃO: como não louvar, bendizer e glorificar a esse Deus trino de amor que faz de nosso corpo a sua morada. ADMIRAÇÃO: a grandeza de Deus não é feita de poder e da força como a de um exército (Salmo 20), mas Deus é grande e forte pelo amor. COMUNHÃO: na nossa pequenez, mas sempre pela nossa fé, nos unimos ao Deus Trindade para fazer deste Deus o modelo de nossa vida cristã. PROFISSÃO DE FÉ: cremos com toda a esperança que Deus é o centro da nossa fé e o autor de toda a vida, por isso dizemos: “Eu creio em Deus...”. É muito profundo e ao mesmo tempo “sereno” o que disse a Igreja em 1215, no Quarto Concílio de Latrão, a cerca da Trindade: “Nós acreditamos com firmeza e afirmamos simplesmente que há um só Deus verdadeiro, imenso e imutável, incompreensível, todo-poderoso e inefável. Pai e Filho e Espírito Santo: três pessoas, mas uma só essência, uma só substância ou natureza, absolutamente simples”. “Afirmamos simplesmente”: há um só Deus. Assim terminamos a nossa reflexão deste domingo: o nosso Deus é um Deus “absolutamente simples”.

ORAÇÃO

A Vós, Pai onipotente, origem do cosmos e do homem, por Cristo, o Vivente, Senhor do tempo e da história, no Espírito que santifica o universo, a Adoração, a honra, a glória, hoje e nos séculos sem fim. Amém. (João Paulo II – Oração à Santíssima Trindade)

 

AGIR

No seu momento de oração sinta-se nas mãos da Trindade. O Pai que te chama, o Filho que te estende a mão, o Espírito que não sai de dentro de ti.

 

Pe. Adilson Schio, MS.

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