Domingo, 25 de Junho de 2017

O GRITO DA VIDA

Publicado em Padre Adilson Schio MS
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LEITURA

A Liturgia da Palavra dos domingos anteriores faz uma sequência que nos ajuda a entender a mensagem deste Quinto Domingo da Quaresma: Cristo, água viva para a nossa sede (Samaritana); Cristo, luz para as nossas trevas (cura do Cego) e hoje, Cristo, ressurreição para a vida (Lázaro). Para São Paulo, a quem se atribui a autoria da Carta aos Romanos (Segunda Leitura), vivem segundo a carne aqueles que vivem pela lógica do mundo e não conforme o pensamento de Deus, revelado nos gestos e nas palavras de Jesus e presente em nós pela ação do Espírito Santo, em outras palavras, aqueles que fazem do seu próprio egoísmo a sua regra, não vivem segundo o Espírito que revela sempre a vida. Ezequiel, o profeta (Primeira Leitura), procura alimentar a esperança transmitindo essa grande verdade, válida também para os nossos dias: Deus não abandonou seu povo, o Espírito sopra e a vida reaparece. Segundo o profeta Deus transforma a morte em vida, o desespero em esperança, a escravidão em libertação.

 

MEDITAÇÃO

No Evangelho temos três cenas bem distintas, porém sempre na mesma história: a primeira cena, no “outro lado do Rio Jordão”, se diz que Lázaro está doente, dorme e está morto. Temos aqui um crescente: da doença ao sono, do sono à morte real. Mas Lázaro é “aquele que ama e que é amado”, o significado de seu nome é, literalmente, “Deus ajudou”. Jesus é ligado a ele por um profundo sentimento de amizade (ágape). Por amá-lo com tal amor, Jesus, confiando no Pai, afronta com coragem o risco da morte do amigo. Na segunda cena, na “vizinhança de Betânia”, nome que significa “lugar dos pobres”, Jesus é criticado pelas duas irmãs de Lázaro por seu “atraso” para ver e curar o irmão. Maria está em casa e chora. Marta vai ao encontro de Jesus e suas lágrimas tocam o seu coração. É muito significativo este encontro pois Marta diz da sua confiança em Jesus: “se você estivesse aqui ele não teria morrido” e Jesus lhe pede fé na ressurreição. Marta então faz uma profunda profissão de fé em Jesus, Messias e Filho de Deus. Interessante perceber que no Evangelho de João a primeira pessoa a professar a fé no Messias, enviado de Deus, é justamente esta mulher de nome Marta. Vem então a terceira cena, “Jesus diante do túmulo de Lázaro”. Uma oração chama o amigo para a vida: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste, eu sei que me escutas... Lázaro, vem para fora” e a cena termina com outra frase de Jesus que significa a libertação plena para a vida: “Desatai-o e deixai-o caminhar”. A ressurreição de Lázaro não é somente um sinal da ressurreição futura, mas é também um dom da ação de Deus para os que creem. Chegamos ao quinto domingo da quaresma com esta certeza de vida que vem da própria afirmação de Jesus: “Eu sou a ressureição e a vida”. A Igreja nos ensina que esta vida vem de Deus, como dom, e nos é dada no Batismo, é renovada no Sacramento da Reconciliação e é alimentada na Eucaristia, alimento de fé de toda a comunidade cristã que crê na força de vida que vem de Jesus. É justamente este caminho de fé que Jesus, no Evangelho de hoje, apresenta a Marta e aos seus discípulos pois crer, segundo Ele mesmo diz, não significa somente aceitar aquilo que ele anuncia, mas ter uma confiança plena nele e naquilo que Deus faz através dele. Aquilo que não parece possível a nós, é possível a Deus. Este é o convite de hoje: É preciso ter confiança na palavra de Jesus. O Evangelho nos chama a confiar no amor de Jesus e na ação de Deus. Que a nossa fé seja plena naquele que é a “ressurreição e a vida”. Em três palavras, este Evangelho fala de um encontro com Jesus, de um diálogo de confiança e de uma profissão de fé na vida que renasce plena e libertada.

 

ORAÇÃO

Rezemos como Jesus rezou diante do amigo Lázaro: “Pai, eu te dou graças porque Tu sempre me ouves.”.

 

AGIR

Procure seus amigos e diga a eles que eles representam muito para você.

 

 

Pe. Adilson Schio, MS.

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