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“E TU O QUE DIZES DAQUELE QUE TE ABRIU OS OLHOS?”

  • Mar 25, 2017
Publicado em Padre Adilson Schio MS
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LEITURA

O tema da escolha, presente na Primeira Leitura, refletida a partir do tema da luz, descrito na Carta de São Paulo aos Efésios (Segunda Leitura), parece encontrar uma referência concreta em Jesus, ao curar aquele cego que era assim desde que nascera. Jesus escolhe o cego e o faz ver a luz. A escolha de Davi (Primeira Leitura) é muito emblemática para o nosso entendimento humano. Deus tem outros critérios do que os nossos. O versículo 7 é muito revelador do jeito próprio de Deus ser ao fazer a escolha dos seus. Deus diz a Samuel: “Eu não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. E assim Davi foi o escolhido e o ungido. A escolha de Deus sempre é para nos fazer “Filhos”, na mesma dimensão que São Paulo é capaz de escrever na sua Carta. Os versículos 8 e 9 da Segunda Leitura nos dizem: “vivei como filhos da luz, e o fruto da luz chama-se: bondade, justiça e verdade”. Só aqui, nestes dois versículos, poderíamos meditar muitas e muitas horas...

 

MEDITAÇÃO

“É um Profeta!”. A resposta simples, porém consciente, do cego curado por Jesus, ao ser perguntado pelos fariseus sobre o que ele diria daquele que o havia curado, contem em si um testemunho de pertença a Jesus que é verdadeiramente o testemunho de alguém que se fez discípulo. Reconhecer a profecia de Jesus é reconhecê-lo não só pelo ato de cura que Ele havia feito, mas também pela força da sua palavra e pela esperança que Ele transmitia com seus gestos. Assim é verdadeiramente um profeta: firme na palavra sem jamais perder a ternura dos gestos fraternos. João, no seu Evangelho, costuma tomar um fato acontecido com Jesus para daí dar início à reflexão de um tema fundamental para a sua comunidade. O fato do cego dá ao Evangelista a possibilidade de falar do processo da fé na vida de uma pessoa. A fé passa das trevas da cegueira para a luz da visão, em outras palavras, da libertação da culpa, presente na vida do cego pela imposição da lei, surge um homem liberto e crente na graça de Deus. João aponta para a nossa vida neste Evangelho. Ele nos faz pensar que só quando deixarmos a palavra de Jesus nos libertar de nossas “faltas de luz” (que segundo Paulo é bondade, justiça e verdade) é que seremos pessoas de grande liberdade interior, capazes de transformar em testemunho público, a força da vida que descobrimos em Deus. Parecendo preocupado com o entendimento da ação de Jesus, João, muito pedagogicamente, nos apresenta a reação de alguns “personagens” diante não tanto de como o cego foi curado, mas sobre quem e do porque alguém o curou, já que era dia de sábado. Se ele era cego desde que nascera, dizia a lei, era porque alguém da sua família havia pecado e por isso o que ele vivia era fruto desta situação. Para o cego não havia outra possibilidade do que aquela que o próprio texto apresenta, “ficava pedindo esmola”. Assim temos: - os Vizinhos que percebem o bem feito por Jesus ao cego, mas não se juntam a Ele no seguimento; - os Fariseus que se recusam a aceitar Jesus, mesmo com todo o testemunho que ouviram do cego; - os Pais do cego que constatam o cura mas não querem se comprometer por medo; as Autoridades que estão interessadas em saber quem era aquele que transgrediu a lei do sábado e do pensamento de que a doença vem como consequência do pecado de gerações; temos ainda o Cego que mostra-se livre, corajoso e sincero nas suas respostas; e por fim o próprio Jesus que vai ao encontro do cego por duas vezes, antes de cura para o fazer livre da cegueira, e depois da cura para acolhê-lo, revelando-se a ele. Diferentemente de outras passagens dos Evangelhos, nesta não se diz que o cego ouviu falar que Jesus passava e “implorou” pela sua cura. Jesus é quem o vê e, aquele que jamais havia conhecido se quer um raio de luz vê então a Luz de Deus inundar a sua vida. “Eu creio” diz aquele que era cego.

 

ORAÇÃO

Ó Deus, que ilumina cada um que vem a este mundo, faça resplandecer sobre nós a luz do teu rosto para que nossos pensamentos sejam sempre conformes à tua sabedoria e possamos Te amar de coração sincero. Amém.

 

AGIR

Pense na sua vida e veja como estão presentes os “frutos da luz”: a bondade, a justiça e a verdade.

 

 

Pe. Adilson Schio, MS.