Quinta-Feira, 19 de Outubro de 2017

Setembro: mês dedicado à Palavra de Deus

Publicado em Notícias Salette
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Sabemos que setembro é considerado o Mês da Bíblia. Com este título a Igreja pretende colocar a Palavra de Deus em evidência, tanto no processo de formação, quanto de celebração e de compromisso missionário. Ao dedicarmos um mês especial à Bíblia, não afirmamos que o cristianismo é uma religião do livro, mas da Palavra de Deus: de um Deus que busca o ser humano e dialoga com seu povo; que deseja encontrar-se com a pessoa humana para fazê-la participante de sua vida divina. Não porque Ele tivesse necessidade de nós, mas porque nós precisamos dele.

 

Entre os diversos meios para o encontro com o Senhor, a Palavra recebe destaque particular, pois é Ele mesmo que fala quando se leem as Sagradas Escrituras na Igreja (SC 7), tornando a Palavra viva, eficaz e eterna (Is 55, 10-11; Heb 4, 12; 1Pedr 1, 23; 1Tess 5, 24). Ela deixa de ter simples caráter doutrinário ou orientativo, pois nela podemos encontrar-nos com Alguém, que tem identidade, rosto e nome: Jesus Cristo, o Verbo (a Palavra) que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1, 14). Por isso a Igreja afirma: “Sempre Cristo está presente em sua Palavra… A Palavra de Deus, portanto, constantemente anunciada na Liturgia, é sempre viva e eficaz pelo poder do Espírito Santo e manifesta aquele amor ativo do Pai que jamais deixa de agir entre os homens e as mulheres” (OLM – Introdução Geral 4). Bento XVI acrescenta no documento Verbum Domini: “Que a Bíblia não permaneça uma Palavra do passado, mas uma Palavra viva e atual” (VD 5).

 

Na sua história de dois mil anos a Igreja sempre honrou a Palavra de Deus e o Mistério eucarístico com igual veneração, mas não lhe deu o mesmo valor de culto (DV 21; OLM

 

10 e VD 55). Nós temos a graça de viver um tempo de nova primavera da Palavra de Deus na vida e missão da Igreja. Estamos em momento privilegiado para tributar à Palavra de Deus o seu justo sentido e valor. Precisamos, portanto, recuperar sempre mais o verdadeiro valor próprio da Celebração da Palavra, em suas diversas formas (Liturgia das Horas, Leitura Orante, Celebrações Comunitárias da Palavra de Deus…), sem dar-lhe somente um “caráter supletivo” e nem atribuir-lhe simplesmente um caráter substitutivo em relação à Eucaristia e demais sacramentos. Há modos diferentes da presença de Cristo-Sacramento.

 

Já o Concílio Ecumênico Vaticano II, através da Constituição dogmática Dei Verbum, atribui à Palavra de Deus um valor litúrgico extraordinário, quando afirma que a tradição da Igreja “sempre venerou as Sagradas Escrituras da mesma forma como o próprio Corpo do Senhor, já que principalmente na Sagrada Liturgia, sem cessar toma da mesa tanto da Palavra de Deus quanto do Corpo de Cristo o pão da vida e o distribui aos fiéis…” (DV 21). O Documento de Aparecida igualmente valoriza a presença pascal do Senhor na celebração da Palavra de Deus, sobretudo para os fiéis impossibilitados de participar da eucaristia: “Podem alimentar seu já admirável espírito missionário participando da ‘celebração dominical da Palavra’, que faz presente o Mistério Pascal no amor que congrega (1Jo 3, 14), na Palavra acolhida (cf. Jo 5, 24-25) e na oração comunitária (cf. Mt 18, 20)” (DAp 253).

 

A nova primavera da Palavra de Deus, que está se descortinando, seja motivo para crescermos no seu conhecimento (doutrina, formação); torne-se a Palavra preferida de nossa oração (celebrações litúrgicas, leitura orante); e seja a fonte que nos envia em missão evangelizadora como discípulos missionários nos ambientes de nossa vida (palavra e testemunho de vida).

 

 

Dom Aloísio A. Dilli