Domingo, 25 de Junho de 2017

Maio e as lágrimas de Maria

Publicado em SÃO PAULO
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Amar alguém significa, também, reconhecer-lhe o poder de nos fazer sofrer. Machucado é o coração, cujo amor só obtém como resposta, a indiferença, a recusa e o desprezo. Isso é verdadeiro, para nós que amamos tão pouco e tão mal. Isso é absolutamente verdadeiro para Deus que, segundo São João, é AMOR. (Jo 4, 8). As lágrimas de Maria em Salette são sinal da ternura de Deus; ternura desconhecida e desprezada. Sinal acessível para nós. Deus sempre falou aos homens por meio dos homens, através de sinais e linguagem humana.

Que sinal melhor poderia expressar o sofrimento de Deus, senão pelas lágrimas de sua Mãe, Ela que se manteve de pé junto à cruz? Que lágrimas poderiam mais nos convencer de nossa infidelidade senão as da Virgem fiel? Uma vez que recusamos a Deus, em nossa vida e em nosso mundo, Aquela que foi incumbida de orar sem cessar por nós, não pode fazer outra coisa por nós. Só lhe restam olhos para chorar. Essas lágrimas são, para nós, a expressão da intensidade de seu amor e de sua impotência diante de nossa recusa. Tal é a realidade a que somos chamados a descobrir.

Certa vez, um casal, numa manhã de Verão, respondeu a seu filhinho de sete a oito anos de idade, no local da Aparição: “Nossa Senhora chora porque somos maus e não amamos bastante a Jesus...”. Embora em diferentes formas, a mesma cena continua a se repetir. Maximino já dizia: “Dir-se-ia que se tratava de uma mãe que havia sido maltratada pelos próprios filhos e que se havia refugiado na montanha para chorar.” Basta esclarecer que essa Mulher é a Mãe de Cristo, e nós, seus filhos maus. Falamos dessas lágrimas no presente, pois são uma realidade hoje. As palavras que as acompanham também são expressas no presente: “Se meu povo não quer submeter-se, sou forçada a deixar cair o braço de meu Filho. Há muito tempo que sofro por vós!”

Junto a Jesus, “sempre vivo para interceder a nosso favor”. Maria incessantemente se preocupa com os “irmãos de seu Filho, cujo peregrinar não acabou ainda e se encontram envoltos em perigos e provações”. (Hb 7, 25) A presença definitiva de Maria, junto a Deus, nos garante sua incessante presença em nossa vida. É assim que, para nos incitar ao seguimento de Cristo, Deus escolheu Maria, e Maria escolheu as lágrimas, lágrimas a nos dizer que “jamais poderemos compensar a aflição que assumiu por nossa causa”, lágrimas de luz, a nos dizer que, na glória, hoje, sua maternal preocupação para conosco é permanentemente atual.

Por duas vezes, a Virgem nos revela o motivo de suas lágrimas. O primeiro é a impotência de seu Filho diante de nossa indiferença: “Se eu quero que meu Filho não vos abandone, sou incumbida de suplicá-lo sem cessar... e vós nem fazeis caso!” O segundo é nossa falta de atenção aos acontecimentos, nosso apego às coisas que passam, o não-reconhecimento de nossa responsabilidade, a acusação que lançamos contra Deus: “Eu vo-lo mostrei no ano passado, com as batatinhas, e vós não fizestes caso! Ao contrário, quando encontráveis batatinhas estragadas, praguejáveis usando o nome de meu Filho...”

Insensíveis ao essencial, nós nos angustiamos por coisas que passam. Nós nos deixamos absorver pelo provisório, em vez de simplesmente dele nos servir para nos constituir um tesouro “onde o ladrão não invade, nem as traças destroem” (Lc 12, 22-34). Em verdade, onde está nosso tesouro? O que buscamos nós na vida? A virgem, que viveu exclusivamente para o Cristo, sabe que “onde está nosso tesouro, lá também está nosso coração”. Sabe que de nós espera, apenas e justamente, nosso coração. Pois nada pode substituir um coração que se recusa a amar.

 

EM LA SALETTE, A MÃE RECONCILIADORA FALOU A MAXIMINO E MELÂNIA.... “IDE MEUS FILHOS E LEVEM MINHA MENSAGEM A TODO O MEU POVO!”

 

Pe. Roger Castel, MS

Meditações Saletinas, 1983.

Última modificação em Sexta, 28 Abril 2017 20:53

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