Quinta-Feira, 25 de Maio de 2017

Jesus Cristo foi obediente até a morte, e morte de cruz!

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“Jesus Cristo foi obediente até a morte, e morte de cruz! ” Fl 2, 8.
A Obediência Consagrada

a obediencia nos faz se achegar a deusContinuamos nosso itinerário no ANO DA VIDA CONSAGRADA pela Teologia da Vida Religiosa. Falando agora sobre o último dos Votos: o Voto de Obediência. Palavra que hoje está em crise, até mesmo dentro da Vida Religiosa. Obedecer não está mais nos planos das pessoas. Mandar é a onda do momento. E aqui está o desafio dos religiosos: onde todos querem mandar, eles devem obedecer. Mas como será e que sentido tem a Obediência?

Usemos como ponto de partida a etimologia da palavra obedecer: do Latim oboedire, “prestar atenção, escutar com seriedade”, de ob, “a”, + audire, “escutar”. Há uma crise alarmante — a da escuta — Estudos recentes indicam: 20% da população norte-americana ressente-se, não da falta de poder financeiro para comprar bens essenciais ou supérfluos. Sofrem da falta de não ter ninguém com que possam conversar. O simples diálogo entre conhecidos e amigos, entre pessoas da família, passou a ser artigo de luxo — tão isoladas estão as pessoas, em seu mundo egocentrado e individualista.

Ninguém hoje quer saber de escutar que é o pressuposto básico da Obediência e só obedece quem escuta. O que o mundo moderno quer e deseja vorazmente é o poder. Essa tentação que é uma tentativa de viver num mundo sem Deus, desafiá-lo para ver se Ele existe. Por isso devido aos desafios da atualidade, que também a Igreja enfrenta, faz-se necessária, mais do que nunca, séria reflexão teológica que encontre as fontes profundas da Obediência.

Há a obediência que é de todo cristão, que se origina da vontade salvífica de Deus Pai. E para nós a obediência adquire maior significado em Jesus que foi o primeiro a ser obediente até a morte para realizar o plano do Pai. E há também a Obediência religiosa é forma particular desta obediência cristã com o colorido próprio de cada Instituto. O religioso, com sua obediência, deve ser sinal animador da obediência cristã de todo o povo. Pela Obediência, o religioso exprime também seu amor a Deus e aos irmãos, por meio da entrega generosa de si para participar da ação salvadora de Jesus Cristo.

O fundamento da Obediência Consagrada é a pessoa de Jesus. A obediência era fundamental para a missão de Jesus aqui na Terra. Como “o último Adão”, ele veio à Terra para fazer o que o nosso primeiro pai não fez — permanecer obediente a Javé, mesmo sob provas (1 Cor 15, 45). Mas a obediência de Jesus não era superficial. Ele a demonstrou de todo coração, alma e mente. E fez isso com alegria. Para ele, fazer a vontade de seu pai era mais importante do que o alimento (Jo 4, 34). A obediência de Jesus vinha do seu íntimo. O orgulho faz a pessoa desprezar a obediência. A obediência envolve muito mais do que apenas evitar o pecado. Cristo sempre cumpriu todos os mandamentos de seu Pai. Ele disse: “Faço sempre as coisas que lhe agradam. ” (Jo 8, 29) Essa obediência deu muita alegria a Jesus.

Alguns podem argumentar que era muito mais fácil para ele obedecer. Talvez imaginem que ele tinha de prestar contas apenas a seu Pai, que é perfeito, enquanto nós geralmente temos de prestar contas a humanos imperfeitos que têm autoridade. Mas a verdade é que Jesus foi obediente também a humanos imperfeitos que tinham autoridade. Quando Jesus se viu diante da morte, sua obediência passou pela prova mais difícil. Foi naquele dia triste que ‘ele aprendeu a obediência’ no sentido mais pleno. Ele fez a vontade de seu Pai, não a sua. (Lc 22, 42). Adão e Eva já tinham falhado nesse teste. Ele obedeceu mesmo quando a obediência lhe custou muito caro.

Enfim, a obediência é pacto de amizade e lealdade à missão a que se consagra o religioso: a redenção do homem, como Cristo veio redimir todos os homens. A obediência é fé na nossa missão, seguimento de Cristo, união com Ele, fidelidades a nossos compromissos e lealdade a nossos companheiros. Somente à luz da fé é possível viver tal realidade da obediência porque sempre haverá tensão entre carisma pessoal e autoridade, liberdade individual e obrigação de obedecer ao voto, inspiração do Espírito Santo e expressão oficial, aspirações pessoais e exigências da vida comum.

Aprendamos, pois, da obediência do Senhor que não é uma obediência cega, inconsciente e escravizadora. A obediência de jesus é livre, consciente e libertadora. Seu poder é a obediência e o nosso também deve ser. Aprendamos e ensinemos a conviver com as tensões e tentações, certos de que Ele “está conosco até o fim dos tempos”. Mas nada façamos sem Jesus porque Ele mesmo nos disse: “sem mim nada podeis fazer”. Só na Obediência de Jesus, obedeceremos. A Virgem obediente do SIM nos ajude e acompa
nhe.

Ir. Henrique Aguiar, MS

 

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